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São Luis Maria Grignion de Montfortt |
Ale xsandro Mazurkiewisk Sousa
Membro da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
I – Vida e personalidade
São Luis Maria Grignion de Montfort nasceu em 31 de janeiro de 1673 na cidade de Montfort, na região da Bretanha, França. Vinha de uma família que pertencia a nobreza, mas que se encontrava em decadência financeira, sendo o seu pai um homem duro, que não aceitava a situação critica pela qual passava, pois era o advogado da vila, mas um homem cristão que tomava conta da Igreja de São João e, sua mãe uma senhora dona de casa. Seus pais eram João Batista Grignion de Bachelleraie e Joanna Visuelle de Chesnais, ambos de famílias nobres, mas, como dito, pouco afortunados. No Batismo o menino recebeu o nome de Luís, ao qual na crisma se acrescentou o de Maria. Mais tarde abandonou o nome de sua família, passando a chamar-se Luís Maria Montfort, porque foi em Montfort onde recebeu o santo batismo. Do matrimônio abençoado dos Bachelleraie-Visuelle, além de Luís Maria procederam mais 17 filhos, dos quais um se fez padre, outro entrou na Ordem de S. Domingos, e uma irmã tomou o hábito de São Bento. Guyonne Jeanne, geralmente chamada Luísa, tornou-se Irmã do SS. Sacramento. Morreu em odor de santidade e era predileta do Santo.
Sempre introvertido, vivendo sempre em recolhimento e oração, ficava muito sozinho, quando aos doze anos foi enviado pelo pai para a Escola dos Padres Jesuítas na cidade de Rennes, onde sempre, de forma discreta, foi o aluno mais destacado dentre os mais de dois mil que ali estudavam.
O seu caráter é demonstrado desde a adolescência. Um exemplo é a sua caridade ardente, vista quando ao sentir que o colega de escola era alvo de zombarias por parte dos outros alunos por não ter uma boa roupa, São Luis se colocou a mendigar e quando estava com a metade do dinheiro para comprar a roupa nova, leva o amigo à loja e lá chegando diz ao dono da loja que ali estava um irmão dele e que necessitava de uma roupa nova, mas o dinheiro somente pagaria a metade e a outra metade seria paga pelo comerciante. Vendo a situação, o comerciante não entende, mas cede ao pedido e vende a roupa pela metade do preço. Sua caridade também se mostra com os doentes, pois todo o dia após as aulas, dirigia-se ao hospital para cuidar dos enfermos e ler para eles algum livro e explicar-lhes o catecismo.
Vivendo no Colégio dos Jesuítas, São Luis pôde conhecer a sua vocação, e, certo dia, quando tinha vinte anos, diante da imagem de Nossa Senhora, em razão do seu pedido de que Deus mostrasse qual o caminho deveria seguir, ouviu uma voz que lhe disse: “Tu serás sacerdote”.
Entendendo a vontade de Deus, Montfort decidiu ingressar no Seminário em Paris. Resolveu que iria sem nada, mas seus pais e uma boa senhora fizeram-lhe um enxoval e deram-lhe algum dinheiro. Recebendo tais coisas, mesmo sem vontade, Montfort saiu em direção a Paris e ao encontrar alguns mendigos, deu-lhes todo o seu dinheiro, enxoval e a roupa que usava trocou com um dos mendigos, demonstrando o seu desapego as coisas do mundo e sua vontade de livremente seguir a Deus, fazendo seu voto de pobreza diante de Deus. Como o próprio Santo coloca como lema de sua vida, ”Deus Só”, colocando-se como um homem livre.
Após percorrer a pé cerca de 300 km, em dez dias, chega a Paris e se dirige ao Seminário de São Suplício, mas ao chegar ao tradicional seminário, dividido em Grande e Pequeno São Suplício, e, ao verem a situação em que se encontrava vestido e sem qualquer dinheiro para ingressar no seminário, foi enviado para um seminário que acolhia jovens pobres que desejavam ser sacerdotes, seguindo com seus estudos de teologia na Universidade de Sorbonne. Ao chegar ao seminário, Montfort observou a grave crise financeira pela qual o mesmo passava e ofereceu-se ao reitor para mendigar e recolher doações para o seminário, e, a sua caridade ficou ainda mais marcada quando passou a velar os mortos pelo menos três vezes por semana em troca de dinheiro para o seminário, o que o fez ter um desapego ainda maior com as coisas do mundo. Montfort sempre confiou na providência de Deus, tanto que chegou a doar sua batina e confiar que lhe seria dada uma em troca de doar a um mendigo o dinheiro que serviria para começar a pagar outra.
Durante o período de dificuldades do seminário, falece o reitor do seminário que tão bem acolhera o Santo e São Luis, de forma serena e calma diz que confia na providência de Deus, passando para outro seminário que acolhia seminaristas pobres e o sustento era ainda mais difícil, fazendo-o adoecer e no leito do hospital São Luis sentia a alegria de poder ter a honra de ficar doente para a glória de Deus e sua certeza era tanta que Deus o tiraria daquela situação que oito dias depois estava de pé. Não lhe faltaram ocasiões de se exercer nas virtudes, em suportar com paciência injúrias e contradições. Ávido de sacrifícios reduzia seu corpo à servidão com toda a sorte de mortificações. Foi naquela época que fez o noviciado de caridade para com os pobres, virtude esta, cuja prática tornou-se nota característica de sua vida.
Após todo o sofrimento com o fechamento do outro seminário que o acolhera e de tornar-se conhecido como um jovem de fé e de, desde cedo, grandes feitos, São Luis é recebido no Seminário de São Suplício com grandes honras, mas, por não ser um homem comum, ele sofreu perseguições e humilhações de parte de seus superiores, negando-lhe até mesmo acompanhamento espiritual e confissão. Contudo, com sua fé inabalável na intercessão da Virgem Maria, mantinha-se obediente, e com Maria Santíssima passava por todas as provações sem reclamar. Vendo os superiores que não tinham como mudar São Luis, colocam-no como responsável pela biblioteca, o que o fez conhecer ainda mais a Mãe de Deus e ter ainda mais amor por Ela, tendo conhecido a Santa Escravidão de Amor e, com autorização de seus superiores, consagrou-se a Virgem Maria e criou um grupo de escravos de amor no seminário. Ao se consagrar, torna-se apostolo e começa seus caminhos de pregação, levando a todos o conhecimento de Deus e o amor de Maria Santíssima, tanto que não admitia o pecado em sua presença, chegando a, com a cruz na mão, se pôr diante de um duelo que estava sendo travado, bem como dispersou as pessoas que viam na rua exibições obscenas e pecadoras. Após o início de suas missões, em 1700, no dia 05 de junho, é ordenado, passando o dia em adoração e uma semana preparando sua primeira missa.
São Luis tinha dois amores, a Virgem Maria e os pobres. Sobre a primeira, falaremos depois. Pelos pobres seu amor era intenso. Vejamos suas demonstrações de amor:
- Acolhido pelos pobres do Hospital de Poitiers, ao chegar mal vestido, confundindo-se com um mendigo, estes lhe dão roupas e o que comer;
- Recebido pelos pobres, é colocado como capelão do hospital, e, mendigando nas ruas, arrecada donativos para o hospital, tornando-o um lugar agradável, e procura e recebe cada vez mais pobres e doentes que vagavam pelas ruas. Como Montfort não aceitava o pecado e não seguia os regulamentos do hospital, o administrador e alguns pobres pecadores contumazes o expulsam do hospital, e, após oito dias de afastamento, São Luis volta para o hospital após o falecimento do administrador, do superior e de mais oitenta pessoas. Com a volta, assume as atividades no hospital, de onde é novamente expulso, e, a pedido dos pobres a seus superiores, retorna, e se dá as mortificações (jejuns, penitências etc.) para que fossem derramadas graças sobre o seu trabalho que era de suas atividades como padre, como apóstolo e com seus trabalhos no hospital. Neste hospital deixa duas missionárias, inclusive aquela que com ele, Maria Luisa Trichet (mais tarde beatificada), fundaria as Filhas da Sabedoria.
- Todavia, é mandado embora novamente e se dê as missões, tendo adquirido um terreno onde fixou um grande crucifixo e todas as noites pregava para uma grande aglomeração de pessoas;
Após sair definitivamente do hospital, o Santo da Cruz se colocou em missões por diversas dioceses da França, sendo acolhidos algumas vezes, aplaudidos outras e caluniado a perseguido sempre, tanto que após diversas perseguições e de alguns bispos não permitirem que pregue ou que celebre, o mesmo se dirige, a pé, em constante peregrinação e penitência, para Roma e lá solicita do Papa Clemente XI que o envie para missões fora da Europa, não tendo o Papa aceito e o enviado de volta à França, agora, como Missionário Apostólico.
Em 01 de abril de 1716 estava em missão e após uma sessão de flagelações, método utilizado pelos santos para alcançarem a graça divina. Dois dias depois, acompanhado por quatro outros sacerdotes, mas sobrecarregado de trabalho, acometido de grande febre e quase sem fôlego se coloca em procissão para demonstrar ao povo o respeito que se deve ter com o bispo que o convidara para pregar. Pregou, e, logo após, se colocou sobre vitimado de pleurisia maligna sobre um colchão e lá recebeu os últimos sacramentos. Em 28 de abril de 1716 falece, com 43 anos, acometido da pleurisia. Antes de seu óbito, dita seu testamento, pedindo que seu corpo fosse enterrado no cemitério e seu coração colocado embaixo do altar da Virgem Maria. Até mesmo em seu leito de morte mostrou seu espírito de combate e confiança em Deus e na sua boa Mãe, pois imóvel exclamou para satanás, “é em vão que tu me atacas! Estou entre Jesus e Maria”.
Em 07 de setembro de 1838, o Papa Gregório VI deu-lhe o título de venerável e iniciou seu processo de beatificação. Em 1848, o Papa Gregório XVI concedeu-lhe o título de venerável e em 1853 a Congregação Romana para a Causa dos Santos pronunciou que as obras de São Luis estavam isentas de qualquer heresia e as aprovou. Em 29 de setembro de 1869, o Papa Pio IX publicou decreto sobre os feitos heróicos de Montfort e autorizou o exame de quatro milagres atribuídos a ele. Em 1886, Leão XIII aceitou os quatro milagres e a beatificação se deu em 22 de janeiro de 1808, a sua canonização definitiva se deu em 20 de julho de 1947, esperando assim o século de Maria, pelo Papa Pio XII. Em 1983, no Congresso Mariano Internacional foi confeccionada e enviada ao então Papa João Paulo II carta pedindo a aclamação de São Luis como Doutor da Igreja, o que ainda está em análise na Congregação para as Causas dos Santos. No dia 20 de julho de 1996 o Papa João Paulo II inseriu sua festa no calendário romano universal. Sua festa é comemorada com muito júbilo pelas famílias monfortinas e seus devotos, no dia 28 de abril de cada ano.
II – Missão
São Luis nasceu para pregar e levar a palavra de Deus e o amor a Virgem Maria pelos cantos, tanto que comovia as multidões que o admiravam ou odiavam-no. Tanto que em suas missões levava multidões para ouvi-lo, e, pregando a palavra de Deus, o amor a Mãe de Deus e a conversão, tornou-se admirado, mas, perseguido, tanto que estando em missões, recebeu uma carta do Bispo que o mandou deixar a Diocese, e, sempre fiel a Santa Igreja, foi embora e, a pé, seguiu de Paris a Roma para ter uma audiência com o Papa Clemente XI, dando aos pobres, no caminho, o dinheiro que tinha e passando por fome e frio. Ao chegar a Roma, em respeito, coloca-se de joelhos e tira os sapatos. Recebido pelo Papa, pede-lhe que seja enviado para missões na Ásia ou na África, tendo recebido do Papa a missão de retornar a França e lá, com as bênçãos do Papa que o nomeou missionário apostólico, exercer a sua missão de apóstolo.
Em suas missões, sempre foi muito requisitado, mas também perseguido e mostrava seu ardor e sua crença, acreditando sempre na vontade e providência de Deus. Em uma de suas missões, diversas pessoas brigavam e atiravam pedras umas nas outras, e Montfort se coloca entre elas, reza uma ave-maria e beija o solo, parando a briga. Ainda na missão, estava pregando e viu pessoas em uma mesa jogando. Foi até a mesa e a chutou, sendo, com alegria e recitando o terço, levado pelos soldados preso, mas liberto em seguida, o que o deixou triste, pois desejava ser preso por amor a Deus e a seus irmãos que haviam largado o jogo. Da mesma forma que fez com a mesa de jogo, fez com mesas de um bar que estava próximo ao local onde pregava e pegou dois dos piores pela gola das camisas e os coloca para fora e os manda ir embora.
Em suas missões, além de seu ardor em fazer os outros pararem de pecar, pregava a renovação das promessas do batismo com a prática da verdadeira devoção a Santíssima Virgem, onde os consagrados entregavam-se ao Cristo pelas mãos de Maria Santíssima para melhor depender e se entregar a Deus. Suas missões também eram marcadas pelas multidões que se colocavam em procissões com o crucifixo como estandarte, colocando calvários e reconstruindo igrejas.
Montfort e a cruz. Desde sempre apaixonado pela paixão de Cristo, São Luis era um grande amante da cruz. Pregava: “Jamais a cruz sem Jesus nem Jesus sem a cruz”. Chegou a pregar sem dar qualquer palavra, deixando a cruz no altar, contemplando-a e levando-a aos ouvintes para beijá-la dizendo: “Eis teu Salvador, não tens bastante pesar por tê-lo ofendido”. Sempre em cada missão buscava erguer um calvário, ou, pelo menos, uma cruz. Em La Rochelle resolve colocar dois calvários em honra da vitória sobre o demônio e após abençoar o segundo calvário, foram vistas cruzes no céu por cerca de 15 minutos. Em Fontenay, o céu aparentava chuva, mas Montfort tranqüiliza as pessoas dizendo que o céu estava com eles e o sol voltou a brilhar forte. O amor a cruz é traduzido por Montfort como a nossa obrigação de, sem murmuração, carregarmos nossas cruzes, pois Jesus carregou a sua cruz por nos redimir do pecado. Como o próprio Cristo disse, quer me seguir, renuncia a ti mesmo, pega a tua cruz e me siga. Além da cruz, Montfort se dá a grandes penitências, jejuando constantemente, realizava flagelações, utilizava cadeias de ferro e silício.
Com a sua personalidade forte, São Luis enfrentou grandes perseguições e provações. Em Poitiers foi expulso pelo bispo quando ia queimar cerca de 500 livros e um padre enciumado colocou uma figura do demônio e disse ao bispo que Montfort queria queimar o diabo. Em Lê Chevrollière é insultado pelo pároco e outros incrédulos e permaneceu calmo e em oração e ao se despedir do pároco disse que rezaria todos os dias para que ele fosse santo. Chamavam-no de louco, atiravam-lhe pedras, falavam mal-no, humilhavam-no, mas Montfort permanecia fiel a sua missão e obediente a Igreja. Em Ponchâteau buscou erguer um grande calvário em uma colina, tendo a colaboração e serviço de mais de 20.000 pessoas, mas teve negada a autorização para abençoar pelo bispo de Nantes que também o mandou ir embora e o calvário foi destruído por ordem do rei. São Luis saiu sem qualquer queixa e sem se opor a ordem do bispo.
Em 1711, calvinistas de La Rochelle puseram veneno na bebida de Montfort, ficou por dias doente, mas escapou da morte. Vendo que estava chegando próximo os seus dias, diante das conseqüências que o veneno lhe trouxe, colocou-se a escrever. Em três dias escreveu a obra O Segredo de Maria. Em 1712 escreveu sua obra prima, após ter lido diversas obras sobre a escravidão de amor e sobre mariologia, Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Têm ainda a obra O Amor da Sabedoria Eterna,profundamente teológica e Carta aos Amigos da Cruz.
São Luis também era profeta e, dentre as suas diversas profecias está aquela colocada no Tratado da Verdadeira Devoção onde diz que grandes feras perseguirão aquele livro e aqueles que o lessem. Tal profecia se realizou integralmente, pois o livro não foi publicado quando o santo estava vivo, e, após sua morte, seus discípulos foram perseguidos e o livro, com a chegada da Revolução Francesa, além de perder algumas partes em razão de incêndios criminosos, foi colocado em um cofre, sendo redescoberto apenas em 1842. Além de grande profeta, a São Luis são atribuídos grandes milagres e obras de Deus.
III – Legado
Montfort, pela graça de Deus não poderia ficar esquecido, tanto que além de suas obras e suas missões, fundou a Companhia de Maria, formada por homens e as Filhas da Sabedoria formada por mulheres com o objetivo de propagar o seu legado pelo mundo.
Com suas obras e ensinamentos, São Luis inspirou diversos movimentos e santos, como a Legião de Maria, o Movimento Sacerdotal Mariano, a Arca de Maria, os Arautos do Evangelho, os Discípulos da Mãe de Deus etc, bem como santos como Santa Terezinha, Santo Cura D’ ars, além do saudoso Papa João Paulo II que tinha como lema a frase Totus Tuus.
IV – Sua vida com Maria Santíssima
Desde os seus cinco anos, Montfort já demonstrava o seu zelo e amor pela Virgem Maria, tanto que sempre acompanhava sua mãe na oração do santo rosário e, ao passar por alguma imagem da Virgem Maria, saudava-as e ficava por horas nas Igrejas diante da imagem da Virgem Maria, bem como até o seu leito de morte permanecia com uma pequena imagem da Virgem Maria.
Conheceu no seminário, após a leitura de todas as obras de grandes santos de sua época e épocas anteriores, como São Bernardo, São Bernardino, São Boaventura, a Consagração, também conhecida como escravidão de amor, onde o fiel se entrega inteiramente à Virgem Maria, na qualidade de escravo de amor, renovando as promessas batismais e entregando a Santíssima Virgem todos os seus bens espirituais e materiais e sua vida para que a Virgem Mãe de Deus possa melhor apresentar o fiel a Jesus. Coloca, ainda, que o consagrado que renova as promessas batismais pela Consagração quer servir-se da Mãe do Verbo para instaurar o reinado Dela, e, por conseguinte, o reinado de Jesus, pois apenas Jesus Cristo é o caminho, mas Sua Santíssima Mãe é o mais perfeito, seguro e curto caminho que nos leva ao Salvador. Menciona que a verdadeira devoção é uma consagração de tudo o que se possui no tempo e na eternidade, uma entrega total a Virgem Maria, passando o consagrado a ter uma dependência integral da Santa Virgem Maria.
Tendo se consagrado à Santíssima Virgem Maria, levou em todas as suas missões o conhecimento e a consagração a Jesus por meio da Virgem Maria, realizando grandes conversões e momentos de intenso amor à Mãe de Deus como forma de na dependência e buscando viver as virtudes da Mãe do Redentor o fiel pudesse mais dignamente buscar a santidade e sua entrega a Deus.

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São João Maria Vianney |

Alexsandro Mazurkiewisk Sousa
Membro da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
São João Maria Vianney – O Santo Cura D´Ars
Patrono dos Sacerdotes e Escravo de Amor da Santíssima Virgem
João Maria Batista Vianney nasceu em 08 de maio de 1786 na pequena aldeia, Dardilly, que fica perto de Limonest, a dez quilômetros ao norte de Lyon, na França. Filho de Mateus Vianney e Maria Béluse e o quarto de seis irmãos numa família de camponeses pobre e humildes. Como fieis católicos, seus pais o batizaram no mesmo dia de seu nascimento com o nome de João, e, como São Luis Maria Grignion de Montfort, outro santo francês que falecera dez anos antes de seu nascimento, acrescetou ao seu nome de batismo o de Maria por especial devoção à Maria Santíssima.
Segundo seus biógrafos, desde a infância deixava claro o seu ardente amor à oração e ao recolhimento. Por vezes era encontrado em cantos da sua casa rezando as orações que seus pais tinham ensinado, tendo, desde sempre, especial devoção à Santíssima Virgem Maria que aprendeu com a sua piedosa mãe de sangue. Como criança devidamente instruída na oração, mesmo quando a França estava tomada pelos ideais da Revolução Francesa e havia grande perseguição religiosa, o jovem santo aproveitava os momentos em que se dedicava a cuidar dos animais para ter seus momentos de oração.
Mesmo tendo vivido em uma época onde a Igreja passava por grandes perseguições e contestações por parte dos revolucionários franceses e de seus ideais libertários, sempre quis ser sacerdote, mas segundo se coloca, esbarrou em dois grandes obstáculos, a sua condição de pobreza e de sua limitada inteligência. Em 1813, com vinte anos, ele ingressou no seminário Santo Irineu, em Lyon, França. Como à época os estudos eram inteiramente feitos em latim, o santo nada entendia, tendo tirado no primeiro mês notas baixas, desclassificando-o. Insistindo em sua vocação sacerdotal não foi admitido na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, pelo mesmo motivo: sua limitação intelectual. Tendo sido encaminhado para a Ecully, para estudar Teologia com seu amigo, Pe. Balley, o qual lhe ensinou, na língua Francesa, Teologia, possibilitando o Santo Vianney de fazer as provas em Francês, e finalmente ser aprovado. Assim ele foi readmitido no Seminário.
No dia 02 de Julho de 1814 foi ordenado Subdiácono. João Maria continuou seus estudos na casa do amigo Pe. Balley. Depois da batalha de Waterloo, quando os austríacos invadiram a região, João Maria foi a pé, por falta de transporte, para Grenoble. Lá, no dia 13 de Agosto de 1815 foi ordenado padre, aos 29 anos de idade, tendo no dia seguinte celebrado sua primeira Missa.
São João Maria em razão de suas limitações intelectuais não se mostrava como um homem culto e, segundo alguns padres que lhe eram contemporâneos, não seria digno de estar nos altares naquele que era o período de grandes pensadores, tanto que diversos padres foram ao Bispo Balley para que Cura D´Ars fosse colocado em um local onde não seria visto, mas o Pastor, sabiamente, respondeu: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”. Como havia perseguições a São João Maria, ele começou a sua vida sacerdotal como ajudante do Bispo Balley, e sendo por este instruído com cursos de Moral e Teologia.
Em dezembro de 1817, o estado de saúde do bispo Balley agravou e ele faleceu, tendo, em janeiro de 1818 vindo um novo pároco para Ecully e que tinha uma vida totalmente diferente da vida do Pe. Vianney, uma vez que o Pe Vianney era um homem mais simples que ajudava as pessoas com seus conselhos e sua mansidão. Vendo o Arcebispo de Lyon, Arquidiocese sede da Diocese de Ecully, que não poderiam ficar na mesma Diocese padres tão diferentes, determinou ao Vigário Geral Courbon, para informar ao padre Vianney, que ele seria transferido para a paróquia da Aldeia de Ars-em-Dombes, cidade calma e com menos de trezentos habitantes. Em 09 de fevereiro de 1818, o Pe. João Maria Batista Vianney chegou a Ars para cuidar de uma capela semi-abandonada. Mesmo pouco instruído, quando foi conduzido a Ars por um paroquiano de Ecully, carregou seus pertences e uma biblioteca com trezentos volumes. Apesar de sua pequena instrução, gostava de ler livros.
Quando chegou a Ars, tendo dúvida se lá era o local onde deveria ficar, e por não conseguir entender a linguagem do seu guia de viagem, perguntou a um garoto: “Menino, onde está Ars?” O menino apontou com o dedo dizendo-lhe: “É ali mesmo”. E João Maria Vianney disse ao menino: “Você me ensinou o caminho de Ars, e eu lhe ensinarei o caminho do céu”.
O Padre entrou no povoado levando muitos sonhos e esperanças. João Maria Batista Vianney era simples, por isso, quando chegou a Paróquia de Ars, devolveu alguns móveis à proprietária, deixando somente o necessário. A sua alimentação era muito simples apenas algumas batatas cozidas. Nem imaginava quanto iria sofrer ali dentro. Ars era pequena no tamanho mas enorme quanto aos problemas: muitas casas de jogo, de prostituição, de festas e danças mundanas, enfim, cidadãos muito ligados ao mundo e a Capela sempre vazia. O povo vivia longe dos sacramentos e sem compromissos com a Igreja.
Vendo a situação em que se encontrava a Paróquia, o Santo Cura D´Ars resolveu fazer algo pela conversão das ovelhas que lhe foram confiadas, realizando intensas práticas de oração, jejuns de três dias, freqüentes em sua vida, penitências e passava horas ajoelhado adorando o Santíssimo Sacramento. Muitas vezes, por suas palavras foi duro para buscar a conversão dos seus, colocando, por exemplo:
“Pobre gente, como sois infelizes. Segui vosso caminho rotineiro; segui-o, que o inferno vos espera”.
Ameaçava-os de não só perderem os bens eternos, mas também os terrenos:
“Blasfêmias e trabalhos nos domingos, bailes, cabarés, serões nas vivendas e conversas obscenas, engloba tudo numa comum maldição”.
Por anos a fio pregou contra isso, exortando no confessionário, no púlpito e nas visitas que fazia às famílias. Dizia:
“Se um pastor quiser se salvar, precisa, quando encontrar alguma desordem na paróquia, saber calcar aos pés o respeito humano, o temor de ser desprezado e o ódio dos paroquianos [e denunciar o mal]”;
“Não há um só mandamento da Lei de Deus que o baile não transgrida. [...] Meu Deus, poderão ter olhos tão cegos a ponto de crerem que não há mal na dança, quando ela é a corda com que o demônio arrasta mais almas para o inferno? O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim. As pessoas que entram num salão de baile deixam na porta o seu Anjo da Guarda e o demônio o substitui, de sorte que há tantos demônios quantos são os que dançam”.
Atento aos clamores do Santo, Deus foi agindo na cidade. A capela se enchia. Então o pároco fundou a Confraria do Rosário para as mulheres, e a Irmandade do Santíssimo Sacramento para os homens. Diante disso, os donos dos bares e organizadores de jogos e casas de prostituição começaram dura perseguição contra o Padre Vianney. Este chegou a dizer, “Ah, se eu soubesse o que é ser vigário, teria entrado num convento de monges”.
Contudo, mesmo todas as perseguições não foram suficientes para afastar o Pe. de Ars de seus objetivos de um povo santo, tanto que a cidade virou um santuário com peregrinações e pessoas de diversas cidades iam a Ars para ouvir as homilias do Cura d’Ars. Quando algum padre lhe perguntava qual o segredo de tudo aquilo, o Padre Vianney lhe respondia: “Você já passou alguma noite em oração? Já fez algum dia de jejum?”.
Vivendo inteiramente dedicado a Deus, repousava de 02 a 04 horas no máximo por noite. Quando acordava ia à Igreja, rezava diante do Sacrário e depois ia confessar seus paroquianos. Eram inúmeras as pessoas que vinham se confessar com ele, tendo passado a maior parte de sua vida no confessionário. Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos. Como era grande o número de pessoas, ele dividiu em vários confessionários, um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc. Ele marcava os horários para cada um.
O Cura d’Ars acreditava no poder da oração e do jejum, e na resposta do bom Deus. Ele tinha em sua mente a exortação de São Paulo Apóstolo: “Orai sem cessar” (1 Ts 5, 17). Não era orador, não falava com eloqüência, nas homilias perdia o fio da meada, atrapalhava-se, outras vezes não sabia como acabá-las então cortava a frase e descia do púlpito acabrunhado. O mesmo acontecia na catequese. No confessionário, porém, estava sua maior atuação pelo mistério da Providência Divina. No aconselhamento das pessoas falava do bom Deus de forma tão amorosa que todos saiam reconfortados. Não sabia usar palavras bonitas, idéias geniais, buscava termos do quotidiano das pessoas. No confessionário viveu intensamente seu apostolado, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à vocação. Do confessionário seu nome emergiu e transbordou dos estreitos limites Ars-em-Dombes para aldeias e cidades vizinhas. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano.
Por sua devoção a São Francisco, inscreveu-se na Ordem Terceira Franciscana. Ele amava os pobres e ajudava sempre que tinha dinheiro e principalmente na parte espiritual. João Maria gostava muito também de Santa Filomena, e muitos escritores vinham ouvi-lo falar dela, e escreviam vários livros. Um deles é o “Santa Filomena Virgem Mártir” segundo “Santo Cura d’Ars”. Ele queria construir uma igreja para a Santa Filomena, mas não conseguiu, e hoje atrás da sua Igreja foi construída uma basílica em honra de Santa Filomena, onde seu corpo incorrupto repousa num relicário.
O seu coração está conservado até hoje em uma Capela dentro de um relicário. O padre Vianney transformou o lugarejo de Ars em uma aldeia menos atéia, com mais amor a Deus do que aos prazeres terrenos.
Aos 73 anos de idade, na terça-feira, 02 de Agosto de 1859, João Maria Batista Vianney recebe a Unção dos Enfermos. Na quarta-feira, 03 de Agosto, assina seu testamento, deixando seus bens aos missionários e seu corpo à Paróquia. Às duas horas do dia 04 de Agosto de 1859, morre placidamente. Nos dias 04 e 05, havia trezentos padres mais ou menos e uma incalculável multidão desfilou diante do seu Corpo, em prantos, para se despedirem. Quando chegou à cidadezinha ninguém veio recebê-lo, quando morreu a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada.
A Igreja, que pela lógica humana, receara fazê-lo sacerdote, curvou-se a sua santidade. João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo em 1929. Esse é o Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto.
A vida de Santo Cura d’Ars confirma o que São Paulo Apóstolo escreveu: “Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e, o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura se possa vangloriar diante de Deus” (1 Cor 1, 27-29).
São dois grandes pensamentos conhecidos do povo católico no mundo inteiro do sábio Santo Cura d’Ars. O primeiro é: “Deixai uma paróquia 20 anos sem Padre e lá os homens adorarão os animais”. E o segundo: “Quem não tem tempo a perder para Deus, perde seu tempo”.
Quando da comemoração do centenário de sua morte, em 1959, o Papa João XXIII promulgou a Encíclica Sacerdotti Nostri Primordia realçando as virtudes e o exemplo de São João Maria Vianney para a Igreja Católica, colocou o seguinte:
"Por último, resta-nos evocar na vida de s. João Maria Vianney este aspecto do ministério pastoral, que para ele, durante muitos anos de sua vida, foi como um longo martírio e fica para sempre ligado à sua memória: a administração do sacramento da penitência, que dele recebeu singular brilho e produziu os mais abundantes e salutares frutos. ‘Em média, cada dia, passava quinze horas no confessionário. Este labor quotidiano começava de madrugada e só acabava à noite. E quando caiu esgotado, cinco dias antes de morrer, os últimos penitentes aglomeravam-se à cabeceira do moribundo. Calculou-se que no final da vida, o número anual dos peregrinos atingisse oitenta mil (...) Dificilmente se podem imaginar as contrariedades e os sofrimentos físicos destas intermináveis horas no confessionário, para um homem já esgotado pelos jejuns, macerações, enfermidades, e falta de sono..’. Mas, acima de tudo, ele sentia-se como moralmente esmagado pela dor. Escutai a sua lamentação: ‘Ofende-se tanto a Deus, que quase nos sentimos tentados a pedir o fim do mundo!...É preciso vir a Ars para se saber o que é o pecado e a sua multidão quase infinita... Não se sabe o que se deve fazer: só se pode chorar e rezar’. O santo esquecia-se de acrescentar que tomava também sobre si uma parte da expiação: ‘Pela minha parte - contava ele a quem lhe pedia conselho - dou-lhes uma penitência pequena e o resto faço-a eu por eles’."
Neste ano de 2009, por ocasião dos cento e cinquenta anos de falecimento do Santo Cura D´Ars, o Papa Bento XVI promulgou a Carta Dies Natalis, onde coloca: “À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a ação do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre atual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: ‘No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo’ (Jo 16, 33). A fé no Divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo actual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.”. Assim, o Santo Padre exorta que os sacerdotes do mundo todo sigam o exemplo do Santo de Ars e que os leigos, neste ano sacerdotal, decretado e iniciado em 19 de junho de 2009, possam, como Cura D´Ars se entregar a oração, mas neste caso, não só pelo povo, mas, sobretudo, pelos sacerdotes que são o próprio amor de Jesus e que devem ter suas forças e ânimos concretizados e revigorados pelo apoio e pela oração dos fieis, pois se queremos ter Jesus Cristo no meio de nós precisamos dos sacerdotes.
Demonstrando o amor ao sacerdócio e pelos sacerdotes, São João Maria Vianney coloca diversas frases sobre tão digno ministério:
"Depois de Deus, o sacerdote é tudo".
"Ninguém pode recordar um benefício recebido de Deus, sem encontrar, ao lado desta lembrança, a figura de um padre".
"O Sacerdócio é o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo".
"Quando um cristão avista um padre deve pensar em Nosso Senhor Jesus Cristo".
"Se a Igreja não tivesse o sacramento da ordem, não teríamos entre nós Jesus Cristo".
"Deixai uma paróquia sem padre por vinte anos, e ai se adorarão os animais".
"Quando alguém quer destruir a religião, sempre se começa por atacar e destruir o padre".
"O que nos impede de sermos santos, a nós, os padres, é a falta de reflexão. Nós não encontramos em nós mesmos, não sabemos o que estamos fazendo. O que nos falta é a reflexão, a oração e a união com Deus".
Louvado seja Deus e sua Santíssima Mãe e que o Santo Cura D´Ars nos abençoe e nos fortaleça para que busquemos no seu exemplo de fé, humildade e oração, a conversão e a santificação do Clero do mundo todo.
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São Simão Stock |

Simão nasceu em 1165, no castelo de Harford, condado de Kent, na Inglaterra, do qual seu pai era governador. Os pais do Santo uniam a virtude à mais alta nobreza. Alguns escritores julgam mesmo que tinham eles parentesco com a família real inglesa.
Sua mãe consagrou-o, antes de nascer, à Santíssima Virgem. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção em relação ao filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Mãe de Deus, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Se, por distração, esquecia-se disso, encontrava uma resistência da parte do pequenino Simão, que recusava alimentar-se até que ela rezasse essa oração. Quando o bebê, devido a algum mal-estar próprio à idade, começava a chorar, bastava que a mãe lhe mostrasse uma estampa da Virgem para que ele se acalmasse.
O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério em latim. Embora não conhecesse ainda a língua latina, encontrava tanto prazer nisso, que ficava extasiado.
Essa precoce criança iniciou aos sete anos o estudo das Belas Artes no colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Isso fez com que fosse admitido à Mesa Eucarística, num tempo em que o costume era receber a Sagrada Hóstia muito mais tarde. Foi então que consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.
Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno na idade de 12 anos, encontrando refúgio numa floresta isolada. Preferiu seguir o chamado de Deus a permanecer no aconchego do lar.
Um enorme carvalho, cujo tronco apodrecido formara uma cavidade suficiente para nela colocar uma cruz, uma imagem de Nossa Senhora e recostar-se, serviu-lhe de oratório e habitação. Empregava o tempo na contemplação das coisas divinas, oração e austeridades. Bebia água de uma fonte nas proximidades e alimentava-se de ervas, raízes e frutos silvestres. De vez em quando, porém, um misterioso cão levava-lhe um pedaço de pão. Evidentemente, como outrora aos solitários do deserto, o demônio não o deixava em paz. “Simão é entregue pelo inimigo da salvação a penas de espírito, a violentos escrúpulos, a cruéis remorsos sobre os perigos dessa via extraordinária que ele percorre, privado como estava da graça dos sacramentos, desprovido de todos os meios que a Igreja concede sem cessar aos fiéis, todos os dias exposto a morrer nessa terrível solidão, sem socorro nem consolações. O exemplo de tantos solitários que Deus conduziu na mesma via reanimava sua confiança; a lembrança das graças com as quais o Céu o tinha favorecido, para o confirmar em sua resolução, o reassegurava”.1
E sobretudo a proteção de Nossa Senhora, a quem ele foi consagrado desde o ventre materno, vinha trazer-lhe a paz. Por outro lado, também os anjos vinham fazer-lhe companhia e o entretinham na solidão em que vivia. Assim viveu cerca de 20 anos.
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Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta,Flos Carmeli. Segundo ele próprio relatou ao Pe. Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me: “‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’”.
“Disse-me Ela [...] que bastava enviar uma delegação ao Papa Inocêncio, Vigário de seu Filho, que ele não deixaria de me mandar remédio para nossos males”.
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“Flor do Carmelo
Vinha florida, esplendor do céu;
Virgem fecunda e singular;
ó doce Mãe, de varão não conhecida;
aos carmelitas
proteja seu nome,
estrela do mar."
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Peço-vos que ( ) sejam purificados e que vossas chagas cubram todas as faltas que possam ter cometido contra os conselhos evangélicos, seja a castidade, a obediência ou a pobreza.
Peço-vos que ( ) possam ser apoiados por minhas fraquezas. E que sendo eu o seu «Cireneu», possa ajudá-los neste caminho de purgatório que muitas vezes é de suplicio e de fogo, que durará até « pagar o último centavo.»
Que «essas almas» tenham sido verdadeiras discípulas e servas de Maria, Vossa Santa Mãe e que pelo martírio Dela, aceitem sem revolta os seus possíveis sofrimentos.
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Nosso Intercessor - São josé |

Alexsandro Mazurkiewisk Sousa, Membro da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
A devoção a São José, esposo justíssimo da Virgem Maria, é complemento da devoção que se tem para com a Mãe de Deus, pois São José,por sua obediência e crença na vontade de Deus, criou, educou, nutriu o Salvador, que veio criança necessitando de todos os cuidados de um pai e uma mãe na terra.
A VIDA DE SÃO JOSÉ E SUA IMPORTÂNCIA PARA A IGREJA
José nasceu provavelmente em Belém, o pai se chamava Jacó (Mt 1,16) e parece que ele fosse o terceiro de seis irmãos. A tradição nos passa a figura do jovem José como um rapaz de muito talento e de temperamento humilde, manso e devoto.
Ao atingir a idade adulta, adotou a carpintaria como profissão e como homem já formado, mais ou menos 30 anos, foi convocado pelos sacerdotes do templo, com outros solteiros da tribo de David, para se casar. Quando chegaram ao templo, os sacerdotes colocaram sobre cada um dos pretendentes um ramo e comunicaram que a Virgem Maria de Nazaré casaria com aquele em que o ramo se desenvolvesse e começasse a germinar, o que se deu com São José, confirmando, assim, as palavras do profeta que disse que o Messias viria de um descendente de Davi. Tendo a São José sido prometida a mão da Virgem Maria, esta continuou a morar na casa de seus pais por um ano, e, neste tempo, a Virgem de Nazaré recebeu o anúncio do Anjo (LER PASSAGEM DA ANUNCIAÇÃO) (Lc 1,38).
Após visitar Santa Isabel, já grávida do Filho de Deus, a Virgem Maria informou ao seu noivo que estava grávida, o que inquietou São José que pensou até mesmo em deixá-la fugir para que a Virgem Maria não fosse punida, bem como em desistir do casamento, foi quando, em sonho, o anjo lhe fez a revelação da concepção divina do Filho da Virgem Maria (LER PASSAGEM DO ANÚNCIO DO ANJO A JOSE -Mt 1,20).
Após o casamento, por ordem de um edito do Imperador César Augusto, São José levou a sua esposa grávida para o recenseamento, estando a Virgem Santíssima prestes a dar a luz. Sabendo do estado de sua esposa,São José buscou um local para ficar com sua esposa, e, não o tendo encontrado, Maria Santíssima deu a luz ao seu filho em uma gruta na periferia de Belém (Lc 2,7). Como era costume, após o período da purificação, eles vão ao templo para oferecer o primogenito ao Senhor. No templo encontraram o profeta Simeão que anunciou a Maria: "e também a ti uma espada traspassarà a alma" (Lc 2,35).
Chegaram depois os Magos do oriente (Mt 2,2) que procuravam pelo recém nascido Rei dos Judeus. Vindo ao conhecimento disto, Herodes teve um grande medo e procurou com todos os meios de saber onde estava a criança para poder eliminá-la. Os Magos entanto encontraram o menino, estiveram em adoração e ofereceram os dons dando tranquilidade à Santa Familia.
Com a partida dos magos, um Anjo do Senhor apareceu a São José em sonho e determinou que ele levasse sua família para o Egito para fugir da perseguição de Herodes: "Levanta-te, pega o menino e a sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que não te aviso quando voltar; porque Herodes está procurando o menino para matá-lo. (Mt 2,13). Após a revelação do anjo, São José fez o que o anjo determinou (Mt 2,14). Tudo se deu para que se cumprisse a profecia de Oséias (Os XI,1): "Eu chamei o filho meu do Egito"
Com a morte de Herodes, um Anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe e vai na terra de Israel; na verdade morreram aqueles que procuravam matar o menino" (Mt 2,19). José obedeceu às palavras do Anjo e partiram mas quando chegou a eles a notícia que o sucessor de Herodes era o filho Archelao teve medo de ir embora. Avisado em sonho, foi embora da Galileia e foi morar em uma cidade chamada Nazaré, porque assim aconteceria quanto foi dito pelos profetas: "Ele será chamado Nazareno" (Mc 2,19-23).

A S. Familia, como cada ano, foi a Jerusalém para a festa da Pascoa. Passado os dias de festa, retornando a casa, acreditavam que o pequeno Jesus de 12 anos fosse na comitiva. Mas quando souberam que não era com eles, iniciaram a procurá-lo desesperadamente e depois de três dias, o encontraram no templo, sentado no meio dos mestres, enquanto os escutava. Ao verem ele, ficaram perplexos e sua mãe lhe disse: "Filho, porque nos fez isto? Eis, teu pai e eu, angustiados te estávamos procurando". (Lc 2,41-48).
Pelo colocado acima, vemos que São José foi o pai terreno de Jesus Cristo e esposo fiel e castíssimo da Virgem Maria, tendo de providenciar às necessidades da família, tutelar e crescer o Filho de Deus, sempre pronto a satisfazer os desejos de Deus.
Ele fez o impossível para que não faltasse nada à família e como pai, para ensinar as coisas da vida ao seu filho. Deus não o deu um pai qualquer, mas uma alma pura, para que fosse de ajuda a uma Santíssima Esposa do Espírito Santo e sua e pai nutrício de um Deus encarnado. Sempre foi obediente a vontade de Deus e tinha uma fé inabalável
A importância de São José tanto está colocada na Sagrada Escritura, como também no Catecismo da Igreja Católica (Exemplos: Parte I, seção II, Cap. II, art. 2, par. 2; Parte III, seção I, cap. I, art. VIII, par. I. Parte I, cap. II, art. II, par. II; Parte II, seção II, cap. I, art. II, par. II; Parte I, Seção II, cap. II, art. II, par. II.) e em Carta Apostólicado Papa Pio IX que o proclamou como o Padroeiro Universal da Igreja.
AS DORES E OS GOZOS DE SÃO JOSÉ
São José teve sete dores, mas, também, teve sete gozos que são:
A – DORES:
- Amargura do vosso coração na perplexidade de abandonar a Virgem Maria;
- A dor de ver Jesus, o Filho de Deus, nascer em um estábulo;
- O derramamento do sangue de Jesus na circuncisão;
- A profecia de Simeão que a espada traspassaria o coração de seu Filho e Esposa;
- A dureza de criar, sustentar, nutrir e educar o Filho de Deus, em especial, nas fugas e sofrimentos;
- O retorno para Israel e a nova fuga com medo de Arquelau;
- A perda do menino Jesus.
B – GOZOS:
- Revelação do mistério da encarnação;
- A glória do Nascimento do Filho de Deus;
- Batizar e dar o nome do Filho de Deus;
- A certeza da salvação e da ressurreição;
- Estar sempre com Deus, Deus Filho, e ver cair todos os falsos deuses;
- Anuncio do anjo que deveria permanecer em Nazaré para que se cumprisse a profecia;
- Encontrar Jesus pregando entre os Doutores.
Assim a devoção a São José completa a devoção a Virgem Maria e nos coloca diante daquele que, como verdadeiro devoto da Virgem Maria, sempre soube escutar e prontamente atender a vontade de Deus.
MÉRITOS E VANTAGENS DA DEVOÇÃO DE SÃO JOSÉ
Para entender que rica fonte de graças seja a devoção ao glorioso Patriarca São José, são suficientes as seguintes palavras de S. Teresa, que encontrando-se na sua vida:
« Eu não lembro, escreve a Santa, de ter até hoje pedido uma graça a S. José, que ele não me tenha satisfeita. Que lindo quadro eu colocarei aos seus pés, se eu pudesse expor as graças obtidas, com as quais fui benta da Deus e os perigos da alma e do corpo, dos quais fui liberada, mediante a intercessão deste grande Santo! Aos outros Santos, Deus concede somente a graça de socorrer-nos nas nossas necessidades, mas o glorioso S. José, e eu sei por experiência, estende o seu poder a tudo. Experimentaram como eu, outras pessoas, as quais eu tinha aconselhado de implorar a este incomparável Protetor... Se eu tivesse autoridade de escrever, sentirei um santo prazer em contar particularmente as graças de tantas pessoas, como eu, que são debitoras deste grande Santo. Àqueles que talvez não me acreditem, eu imploro que provem a suplicar este glorioso Patriarca e honrá-lo com especial culto».
Até aqui a Santa e as suas ardentes palavras, moveram certamente em cada um de nós o desejo à devoção deste potente e doce protetor.
Um ilustre escritor resumiu em poucas palavras, as vantagens que se tem com a devoção a S. José:
1° Quem será seu verdadeiro devoto, terá o dom da castidade;
2° Terá ajuda espiritual para abandonar o pecado;
3° Terá particular devoção a Maria Santíssima;
4° Fará uma boa morte e será defendido naquelas horas extremas;
5° Não será vencido pelos demônios que temerão o seu nome;
6° Obterá especiais graças tanto para a alma como para o corpo;
7° Terá confiança absoluta em conseguir a graça da perseverança final
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Nosso Intercessor - São Miguel Arcanjo |
Seguindo a frente do nosso exército em ordem de batalha confiamos em São Miguel Arcanjo, que sob as ordens da bem aventurada Virgem Maria, conquista vitórias para o pai. (TRATADO)
O nome do Arcanjo Miguel, possui um revelador significado em hebraico: “Quem é igual a Deus”, segundo a Bíblia, ele é um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.
“Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”.
A Igreja Católica tem em alto conceito a devoção aos Santos Anjos. Acredita na sua existência que é provada por muitas citações bíblicas, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sabe e ensina que os anjos, como Santos mensageiros de Deus, desempenham uma missão especial em nosso favor. São defensores, do corpo e da alma, em todos os perigos, principalmente na hora da morte.
Como um dos primeiros, senão o primeiro e mais eminente dos espíritos celestiais, os livros sagrados nos apresentam S. Miguel. O profeta Daniel dá a S. Miguel o título de Príncipe dos Anjos, e a Igreja enumera-o entre os arcanjos. Seu nome tem o significado de “Quem é como Deus?”, pois foi S. Miguel que se pôs à frente dos anjos fiéis contra Lúcifer, o chefe dos anjos rebeldes, em defesa da autoridade de Deus. S. Miguel, por tanto, é um espírito guerreiro, arauto de Deus, e Príncipe dos exércitos celestiais. A arte cristã o apresenta como tal, em armadura brilhante, com lança e espada, em vôo como de mergulho se precipitando sobre o dragão infernal, e, fortemente o investindo, fazendo-o sentir o vigor irresistível do pé vitorioso, arremessa-o às profundezas do inferno.
Da sinagoga e do povo eleito a missão de S. Miguel se transferiu à Igreja de Cristo. Numerosas são as suas aparições registradas na história da Igreja. Seu nome é mencionado várias vezes no sacrifício da Santa Missa. No “Confiteor” o sacerdote se dirige ao arcanjo S. Miguel, e invoca sua intercessão junto de Deus. Sobre o incenso, na missa solene é invocado seu nome. Ao Santo anjo, isto é, a S. Miguel o sacerdote logo depois da consagração se dirige, com o pedido de levar o santo sacrifício ao altar sublime de Deus. Terminada a missa rezada, em uma oração especial o povo pede a S. Miguel que o defenda no combate; cubra-o com o seu escudo contra os embustes e ciladas do demônio; precipite ao inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. S. Miguel é ainda o patrono dos agonizantes, o guia das almas dos defuntos para o céu.
“Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”
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